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Safra 2019/20 teve a maior taxa de queda de frutos

Fundecitrus - Dentre as pragas e doenças, greening foi principal causa

A taxa de queda de 17,63% registrada na safra 2019/20 é a mais alta já medida pelo Fundecitrus desde o início da Pesquisa de Estimativa de Safra (PES), em 2015. O aumento da intensidade do greening e o crescimento populacional de bicho-furão e mosca-das-frutas foram os principais motivos associados às pragas e doenças. A queda total de frutos foi estimada em cerca de 83 milhões de caixas.

 

Principais causas, taxa de queda de frutos e caixas perdidas na safra 2019/20

1º Natural, mecânica ou climática: 5,15% (24,18 milhões de caixas)

2º Greening: 4,39% (20,61 milhões de caixas)

3º Bicho-furão e mosca-das-frutas: 4,29% (20,14 milhões de caixas)

4º Pinta preta: 2,12% (9,95 milhões de caixas)

5º Leprose: 1,30% (6,10 milhões de caixas)

6º Cancro cítrico: 0,38% (1,80 milhão de caixas)

 

Enquanto a porcentagem de frutos derrubados por queda natural se manteve em relação à safra passada, o greening passou de terceira para a segunda principal causa em 2019/20. “Isso se deve à elevada incidência e severidade da doença observadas na última safra, principalmente nos pomares onde os produtores optaram por não eliminar as plantas doentes”, explica o pesquisador do Fundecitrus Renato Bassanezi.

Não eliminar os pés de laranja contaminados colabora para o aumento da severidade da doença na planta, provocando a queda de frutos e a diminuição da produção. “A manutenção de plantas com greening no pomar sem um controle frequente do psilídeo, além de intensificar a severidade da doença nessas árvores, favorece também o aparecimento de novas plantas com sintomas. Maior incidência e severidade de greening levam a maior taxa de queda e prejuízos”, ressalta Bassanezi.

Em relação à safra 2018/19, houve uma pequena redução da importância do bicho-furão e da mosca-das-frutas na queda de frutos, porém as pragas foram responsáveis por derrubar 20 milhões de caixas. Segundo o pesquisador do Fundecitrus Marcelo Miranda, o monitoramento é fundamental. “É preciso utilizar armadilhas com feromônio para o bicho-furão e com atrativos alimentares para a mosca-das-frutas”, diz. “O monitoramento deve ser feito antes da maturação dos frutos, e, se for detectado aumento dos níveis populacionais dessas pragas, deve-se realizar o controle”, recomenda.

 

Sinal de alerta para a leprose

Apesar de baixo, o índice de queda provocado pela leprose vem aumentando progressivamente nos últimos três anos. Para Bassanezi, o crescimento está associado a dificuldades de controle do vetor. “Algumas medidas, como o monitoramento frequente e rigoroso do ácaro, aplicação imediata de acaricidas após detecção do seu nível de ação e uso de volume de calda correto são importantes para a eficiência do manejo”, cita.

Para evitar erros no manejo da leprose, confira a matéria “Dificuldades de controle” na edição 44 da revista Citricultor em https://www.fundecitrus.com.br/comunicacao/revistas.

 

Taxa de queda por setor

Norte: 16,72%

Noroeste: 17,44%

Centro: 18,79%

Sul: 22,81%

Sudoeste: 13,11%

Média do cinturão: 17,63%

Os setores Sul e Centro apresentaram taxa de queda acima da média do cinturão citrícola devido à alta incidência de laranjeiras com greening e à grande quantidade de árvores com elevada severidade da doença. De acordo com o último levantamento de greening do Fundecitrus (2019), Sul e Centro apresentavam as maiores incidências da doença, 36,96% e 30,76%, respectivamente.